Foto: Vinicius Becker (Diário)
Aeronave A-1 é considerada tradicional na Base Aérea de Santa Maria e deve operar até o fim da vida útil prevista para 2027.
Ainda não há definição sobre qual aeronave irá substituir o caça A-1 na Base Aérea de Santa Maria (Basm). O modelo, tradicional na unidade, está se aproximando do fim de sua vida útil, previsto para 2027. Enquanto isso, a Força Aérea Brasileira realiza estudos para definir qual será o próximo avião a operar na Base.
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Segundo o comandante da Basm, coronel aviador Arthur Ribas Teixeira, ainda não há decisão tomada sobre a substituição da aeronave.
— O A-1 é a aeronave tradicional aqui da nossa Base, uma aeronave multimissão em todas as missões da aviação de caça e da aviação de reconhecimento, mais especificamente o reconhecimento tático. Ela trouxe e tem trazido muito aprendizado para a Força Aérea Brasileira e também para a indústria nacional, e está chegando no final da sua vida útil. A Força Aérea Brasileira está incessantemente pensando em alternativas, com estudos, reuniões no Estado Maior da Aeronáutica, da Força Aérea Brasileira, justamente para chegar na melhor opção. Então, agora nós estamos na fase da escolha da aeronave, como vai acontecer, quando vai acontecer.

E, até o momento, ainda não há definição sobre qual modelo assumirá o lugar do A-1. Uma das especulações levantadas pelo site Defesanet, especializado na área, era a possível utilização do A-29 Super Tucano temporariamente para manter os pilotos voando na cidade, até conseguir outra aeronave, hipótese descartada pelo comandante da Base.
— Na Força Aérea, não há estudos em se substituir com o Super Tucano, porque ele tem uma função diferente, é uma aeronave para outros tipos de missão. Assim como A-1 tem as suas missões, por isso que a gente tem aeronaves diferentes de performance e capacidades diferentes.

Treinamentos continuam
Na Base, segundo o comandante, as atividades operacionais seguem normalmente.
— O treinamento, ele não pode parar. Então, a gente mantém as nossas capacidades, mantém o treinamento dos pilotos. As aeronaves estão voando, justamente para a gente manter a prontidão, para que quando precisar, quando a gente precisar ser utilizado, a gente continue sempre tendo essa excelência no atendimento à população, como foi o caso dos recentes reais, principalmente aqui na Região Sul.
História do caça em Santa Maria

Conhecido na FAB como A-1, o caça faz parte de um projeto binacional desenvolvido por Brasil e Itália. A aeronave é utilizada principalmente em missões de ataque com bombas, foguetes e canhões, e também em operações de reconhecimento.
O modelo foi criado para atender a uma demanda da FAB por um avião com grande poder de fogo, alto alcance e capacidade de atuar em baixa altitude. Ao longo dos anos de operação, A-1 participou de diversas missões estratégicas da Aeronáutica.
Entre elas, estão operações de interdição de pistas clandestinas na Amazônia, ações de reconhecimento em áreas de fronteira e missões de prontidão. Um dos episódios citados na trajetória do modelo ocorreu em 1999, durante a Operação Tapete Verde, quando a aeronave foi empregada em ações para coibir atividades das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O projeto que originou o caça também marcou a cooperação industrial entre Brasil e Itália e contribuiu para o desenvolvimento da indústria aeronáutica nacional, tendo sido um dos fatores que ajudaram a consolidar a Embraer como uma das maiores fabricantes de aviões do mundo.
O primeiro exemplar do modelo chegou a Santa Maria em 1989. Em 29 de novembro de 2019, a Base Aérea celebrou os 30 anos da presença do avião na cidade.